Ninguém me deve nada; assim como também não devo nada a ninguém.
Estou me buscando; mesmo assim, por vezes, sinto vontade de parar no meio do caminho.
Não sinto mais necessidade de dar satisfações ou de me
machucar a troco de nada.
Minha sola de sapato está gasta, ando muitas vezes sentindo
que dá para chegar em algum lugar.
Mesmo assim, sou dona das minhas pausas, sou dona do meu
coração que já andou dividido.
Hoje eu não me pego mais pensando naquilo que foi; apenas
agradeço e me prontifico a seguir com mais liberdade interior e respeito.
Ninguém me deve nada; assim como também não devo nada a
ninguém.
Minha consciência fez muita terapia, meu desejo de paz se
estende nas coisas que pontuo no peito.
Nem tudo é simples, nem tudo vem mastigado, nem tudo vem
pronto.
Acho que estou desapertando mais os nós, não estou revidando
nada.
Sinto que já virei muitas páginas e guardei a sete chaves o
que realmente mereceu mais de mim.
Quero enxergar a curva mais à frente, quero ir pela
contramão.
Não sei o que Deus me reserva, mas sinto que aqui dentro há
uma grande melhora pessoal.
Indiferente ao que não acrescenta, me desejo tudo de melhor.
Hoje tem sol, hoje tem mais serenidade apesar das
intempéries do caminho.
Estou contando comigo, porque sei que é assim quando mais
preciso de força para me levantar.
Confio e seguro meu alicerce dentro das bênçãos do alto.
Continuo mesmo descontinuando; continuo sentindo mais amor
por mim.
Sil Guidorizzi

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